Congonhas do Campo

Congonhas do Campo

Por volta  de 1770 alguns portugueses povoaram a vila de Queluz, hoje Conselheiro Lafaierte. Muitos se fixaram, outros saíram em busca de novos depósitos auríferos. Esses agrupamentos iam fundando novos arraiais. E assim crescia a população, se organizando às margens do Rio Maranhão, formada por mineradores que primeiramente habitaram a região. Há controvérsia sobre a data de criação da Freguesia de Congonhas havendo documentos que citam a data de 3 de Abril de 1745 e outro mencionando o ano de 1734.
Deram-lhe um nome que vem do Tupi e que quer dizer: o que sustenta, o que alimenta. Queluz, que adveio da planta abundante do arraial.
Congonhas não chegou à condição de vila porque passou diretamente de distrito para município. O distrito, criado em 6 de Novembro de 1746 ligava Congonhas do Campo à Comarca de Ouro Preto. Em 7 de Setembro de 1723, o distrito foi transferido de Ouro Preto para Queluz (Conselheiro Lafaierte). Um decreto-lei de 17 de Dezembro de 1938 criou o município de Congonhas do Campo.
Tudo começou com o português Feliciano Mendes que fizera uma promessa para recuperar a saúde perdida após muitos anos de trabalho na exploração das jazidas de ouro. Atendido e novamente com saúde, deu início às obras da Igreja do Senhor Bom Jesus do Matosinhos em 1757, no alto do Morro do Maranhão, onde fincou uma cruz tosca. Lá ele prometeu dedicar sua vida ao Bom Jesus e colocou uma imagem deste para ser venerada em público. Dois anos depois já estava pronto todo o corpo da Igreja.
Feliciano fazia peregrinações pela região e com um pequeno oratório de madeira, com a imagem do Senhor Bom Jesus, recolhia esmolas e donativos para a construção. Ele faleceu a 23 de Setembro de 1765, sem ter terminado a sua Igreja, mas com a certeza de sua promessa estar paga. As obras do Santuário foram crescendo e reunindo o trabalho dos melhores artistas da época, como Manoel da Costa Ataíde, Francisco Xavier Carneiro e o mestre Aleijadinho. Uma dessas obras é a imagem do Senhor morto, jacente, adorada ainda hoje pelos fiéis, que veio de Portugal e foi ali colocada em 1787.
Como a cada dia apareciam novas notícias de milagres a Ele atribuídos, a devoção ao Senhor Bom Jesus do Matosinhos ganhou cada vez mais adeptos.
Entre os dias 7 e 14 se Setembro a cidade demonstra toda a sua força e tradição religiosa. Ela recebe multidões de romeiros de todos os lugares do Brasil. Gente simples, que em seu encontro anual com o Senhor Bom Jesus revive sua paixão. Gente que sobe as escadas de joelhos, milhares de almas rezando ao mesmo tempo.
Durante este período Congonhas se transforma, nos festejos do Jubileu. A Romaria, atravessando os tempos, faz da cidade um centro de peregrinação que se revitaliza a cada ano.
Não existe estatísticas, mas calculasse que 500 mil pessoas visitam Congonhas durante o Jubileu, vindos nos mais diversos meios de transportes, que chegam e voltam no mesmo dia.
Mas antes da ligação da cidade com a BR-040 os romeiros tinham outras características. Eles chegavam com suas família durante toda a semana para receberem a benção final e lotavam a cidade. As pessoas chegavam a pé, a cavalo, em caravanas, em trens de ferro e até em lombo de burros. Alguns chegavam a caminhar por semanas, até meses, só para chegar em Congonhas do Campo. A cidade inteira se transformava num conjunto de pensões. Os proprietários alugavam quartos, quintais e até alpendres.
A Romaria foi construída no início da década de 30, no final da Alameda das Palmeiras. Ela era uma pousada constituída de um conjunto da casas baixas, fechando um círculo ao redor de um imenso pátio. Para ocupar esse abrigo, cada família pagava 5 mil reis por todo o período do Jubileu ( quantia considerada na época acessível a qualquer família).
Desativada no início da década de 60 pela Administração do Santuário, a Romaria foi vendida a um grupo empresarial do Rio de Janeiro, que pretendia construir ali um hotel, obra jamais realizada. Da construção original, demolida em 1968, só restaram as duas torres ligadas por um arco que compõe o seu portão de entrada.
Em 1993 a Prefeitura Municipal recuperou o terreno com os remanescentes da velha Romaria e o portão começou a ser restaurado no ano seguinte. Com uma área de 53 mil metros quadrados, a Romaria foi reconstruída, mantendo as mesmas características arquitetônicas da antiga pousada. Esta que foi inspirada na arquitetura das capelas dos Passos da Paixão, construídas no século XVIII, e foi reinaugurada em 30 de Julho de 1995.
A partir da sua reinauguração a Romaria passou a abrigar uma grande estrutura destinada a preservação da história, da cultura, das artes, do lazer e do turismo em Congonhas. Esta estrutura esta dividida em quatro alas:
    -Extensão do Gabinete do Prefeito, Salão Nobre e Oficina de Artes, que também serve de Sala de Exposições.
    -Sede da FUMCULT, Loja de Souvenir do SERVASC (Serviço Voluntário de Assistência Social de Congonhas), e Auditório com 60 lugares.
    -Restaurantes e bares com comida típica mineira.
    -Museu de Mineralogia com salas para estudos e pesquisas, Museu Sacro e Museu da Memória e uma sala dedicada à cidade portuguesa de Matosinhos.
Numa das torres originais, logo na entrada, encontra-se um posto de informações turísticas.
Atualmente a romaria vem se tornando um ponto de encontro e de realização de shows, como o "Luar na Romaria".
Esta peregrinação acontece desde 1970, originando os grandes festejos do Jubileu. A festa, a princípio, ocorria em Maio e em Setembro. Entretanto as chuvas de Maio tornavam os caminhos intransitáveis, passando a ser fixada a data atual.
Hoje a Igreja Senhor Bom Jesus de Matosinhos é o cartão postal de Congonhas, com os doze profetas, esculpidos por Aleijadinho, na sua frente. Os profetas foram feitos no tamanho natural e cada um carrega com sigo um pergaminho com mensagens de Deus.
A Igreja também conta com a Sala dos Milagres. Nesta sala os fiéis depositam os seus ex-votos, retratos de milagres concedidos pela fé no Senhor. Localizada no lado esquerdo da Igreja, a sala esta repleta de fotos, objetos de ceira e objetos pessoais deixado pelos romeiros.
A sala abriga ainda uma coleção de 89 ex-votos ou "milagres", tombados pelo Conselho Consultivo da Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico em dez de Dezembro de 1980.
Os fiéis em frente ao Santuário, assistem as missas rezadas durante todo o dia. Durante o período do Jubileu os fiéis não tem acesso ao adro onde se encontram os profetas, por razão de segurança das imagens.
Uma boa parte dessa gente vem ao Jubileu para fazer comércio. As barraquinhas que se erguem em Congonhas hoje, vem de um tempo antigo. Antigos moradores afirmão que, em tempos remotos, alguns comerciantes ganhavam dinheiro suficiente para viver o resto do ano.
Outras festas de Congonhas são: a Semana Santa, que inicia-se no domingo antes da Páscoa. A Festa de Nossa Senhora da Ajuda, no Distrito do Alto Maranhão, em 15 de agosto. E a Festa de Nossa Senhora da Conceição, Padroeira de Congonhas, em 8 de dezembro.
Congonhas também possui outras igrejas. A Igreja do Rosário é a mais antiga da Congonhas e foi construída por escravos no fim do século XVII. A Igreja Nossa Senhora D’Ajuda abrigou até pouco tempo a imagem de sua santa, que foi roubada e substituída por outra, mas sem o mesmo valor histórico. A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição teve sua fachada construída por Aleijadinho e seu corpo é um dos maiores. E a Igreja São José que encontra-se na rua de mesmo nome.   Imagens dos Passos da Paixão.

Passo da Ceia

Passo do Horto

Passo da Prisão

Passo da Flagelação

Passo da Coroação de Espinhos

Passo da Subida ao Calvário

Passo da Crucificação

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